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Panorama Histórico do Cristianismo

  • Nestorianismo 

A discussão sobre a relação entre as duas naturezas de Cristo, surgiu comparativamente tarde na história da igreja. Logicamente precedentes foram as discussões sobre a genuinidade e a perfeição das duas naturezas. Uma vez resolvidas essas duas questões no concílio de Niceia (325) e Constantinopla (381), era necessário investigar a exata relação entre elas. De fato, a questão a ser tratada era: “O que realmente significa a declaração de que Jesus era plenamente Deus e plenamente humano? No processo de sugerir e examinar possíveis respostas, a igreja rejeitou algumas como inadequadas, sendo o caso do Nestorianismo.

Nestório, tinha uma posição um tanto que ambígua e inconsistente, o que dificulta saber se ele mesmo seguia o que se tornou o nestorianismo, mas certamente o movimento herdou seu nome divido sua indisposição com a igreja tradicional devido ao seu esforço em rechaçar a ideia de “Maria mãe de Deus”. Ele relutou em fazê-lo, a não ser que o termo theotokos (“geradora de Deus”) fosse acompanhado do termo anthropotokos (“geradora de um ser humano”). Embora suas ideias não fossem singulares na época, a escolha de uma terminologia parcialmente infeliz causou problemas a Nestório. Ele observou que Deus não poderia ter uma mãe e certamente nenhuma criatura poderia ter gerado um membro da divindade. Portanto, ele pensava que Maria não gerou Deus, mas que gerou um homem que foi um veículo de Deus, negando implicitamente ou explicitamente as ocorrências naturais na pessoa de Cristo como: seu nascimento; sua evolução; seu sofrimento; sua morte e sepultamento. A fim de evitar uma heresia, Nestório acabou por incorrer em outra.

Nestório teve dois grandes rivais que repudiaram seus pensamentos, Cirilo de Alexandria e Eusébio de Dorileia, que concluíram que Nestório era um adocionista (crê que o homem Jesus se tornara divino em algum momento de sua vida, provavelmente no ato de seu batismo). Essa heresia foi condenada pelo concílio de Éfeso (431) e rejeitada completamente no concílio de Calcedônia


(451) com a afirmação da doutrina da união hipostática de Cristo, (“Jesus é ao mesmo tempo, plenamente Deus e plenamente homem, sem a operação independente de uma das naturezas). O nestorianismo, ou variações do movimento, pode ser encontrado nos dias atuais na Igreja Assíria do Oriente.


  • Igrejas ortodoxas Orientais

A Igreja Ortodoxa clama ser a única igreja verdadeira de Cristo, e procura traçar sua origem aos apóstolos originais através de uma corrente contínua de sucessão apostólica. Os filósofos ortodoxos debatem o estado espiritual dos Católicos Romanos e Protestantes e alguns os consideram hereges. Assim como os Católicos e Protestantes, no entanto, os fiéis ortodoxos defendem a Trindade, a Bíblia como sendo a Palavra de Deus, Jesus como o Filho de Deus, e muitas outras doutrinas bíblicas. No entanto, em relação à doutrina, eles têm muito mais em comum com os Católicos Romanos do que com os crentes Protestantes.


A doutrina da justificação através da fé é praticamente inexistente na história e teologia da Igreja Ortodoxa. Na verdade, a Ortodoxia enfatiza theosis (literalmente significa “divinização”), o processo pelo qual os Cristãos se tornam mais e mais como Cristo. O que muitos da tradição Ortodoxa falham em compreender é que “divinização” é o resultado progressivo da salvação, não um requisito para que a salvação ocorra. Outras crenças ortodoxas que não concordam com os ensinos bíblicos são:

·       A autoridade semelhante da tradição da igreja e das Escrituras;

·       As     pessoas     não    são     encorajadas     a     interpretar    a        Bíblia independentemente das tradições;

·       A virgindade perpétua de Maria;

·       Oração pelos mortos;

·       Batismo de bebês sem qualquer referência à responsabilidade individual e fé;

·       A possibilidade de salvação depois da morte;

·       A possibilidade de perder a salvação



  • Igrejas Ortodoxas

Embora originalmente os cristãos orientais e ocidentais compartilhassem a mesma fé, os dois lados começaram a se separar após o sétimo Concílio Ecumênico em 787 d.C e são geralmente considerados como tendo se dividido sobre a disputa com Roma no chamado Grande Cisma em 1054. Particularmente, isso ocorreu sobre a reivindicação papal de autoridade suprema e a doutrina do Espírito Santo. A divisão tornou-se definitiva com o fracasso do Concílio  de  Florença  no  século  XV.  A teologia  ortodoxa é  baseada nas Escrituras e na tradição sagrada, que incorpora os decretos dogmáticos dos sete concílios ecumênicos e os ensinamentos dos Padres da Igreja.


A igreja ensina que é a igreja uma, santa, católica e apostólica estabelecida por Jesus Cristo em sua Grande Comissão e que seus bispos são os sucessores dos apóstolos de Cristo. Sustenta que prática a fé cristã original, transmitida pela sagrada tradição. Seus patriarcas, refletem uma variedade de organização hierárquica. Reconhece os sete sacramentos maiores, doas quais a Eucaristia é o principal, celebrado liturgicamente. A igreja ensina que, por meio da consagração invocada por um sacerdote, o pão e o vinho do sacrifício tornam- se o corpo e o sangue de Cristo. A Virgem Maria é venerada na Igreja Ortodoxa como a portadora de Deus, honrada nas devoções.


Embora originários da Ásia Ocidental, a maioria dos cristãos ortodoxos agora vive no sudeste e leste da Europa e na Sibéria, a Igreja Ortodoxa é a principal denominação religiosa na Rússia, Ucrânia, Romênia, Grécia, Sérvia, Macedônia do Norte, Chipre e Montenegro.


  • Igreja Católica Romana

Com o “Grande Cisma”, (que foi o evento que causou a ruptura da Igreja Cristã, separando-a em duas: Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, a partir do ano 1054), os líderes da Igreja de Constantinopla e da Igreja de Roma se excomungaram mutuamente. Embora a expressão "Igreja Romana" tenha sido usada para descrever a diocese do papa em Roma desde a queda do Império Romano do Ocidente e até o início da Idade Média (século VI a X), o termo "Igreja Católica Romana" passou a ser aplicado a toda a Igreja desde a Reforma Protestante no final do século

XVI. Ocasionalmente, o termo "católico romano" também apareceu em documentos produzidos pela Santa Sé, aplicados principalmente a certas conferências episcopais nacionais e dioceses locais.

A doutrina católica se desenvolveu ao longo dos séculos, refletindo os ensinamentos diretos dos primeiros cristãos, definições formais de crenças heréticas e ortodoxas por conselhos ecumênicos e bulas papais, além do debate teológico por estudiosos. A Igreja acredita que é continuamente guiada pelo Espírito Santo ao discernir novas questões teológicas e é infalivelmente protegida de cair em erro doutrinário quando uma decisão firme sobre uma questão é alcançada. Ensina que a revelação tem uma fonte comum, Deus, e dois modos distintos de transmissão (Escritura e Tradição Sagrada) e que estes são autenticamente interpretados pelo Magistério.


  • Anabatismo

O anabatismo foi um movimento religioso protestante radical do período da Reforma Protestante do século XVI na Europa, caracterizado pela discordância das reformas realizadas por Lutero e Zuínglio. Ele pode ser considerado protestante, mas não reformado. Essencialmente, os anabatistas protestaram contra as reformas que não realizavam aprofundamentos e


mudanças como idealizavam. Tal movimento, então, opôs-se a católicos e reformadores. Ele basicamente reivindicava separação entre Igreja e Estado, a não aceitação do batismo infantil e pregava o próprio afastamento e isolamento da sociedade de modo pacífico. Esses elementos combinados causaram uma das maiores perturbações na Europa do século XVI. As ideias políticas dos anabatistas causavam terror em todos, do povo (católicos e protestantes) aos reis. Não por acaso foi o movimento mais perseguido do período da Reforma.


Os anabatistas foram acusados de heresia e subversão. O primeiro crime era de ordem religiosa, o segundo, civil. Por razões teológicas, os anabatistas decidiam batizar novamente adultos já batizados por não considerarem o batismo infantil dos católicos válido, — daí foram chamados de “anabatistas” ou os que rebatizavam. Da ruptura inicial anabatista supracitada se desenrolou outra ruptura. Se a Igreja deveria ser entendida como uma sociedade inseparável com do Estado, então, logicamente, todas as pessoas nascidas nele eram automaticamente consideradas cristãs. Os anabatistas, em contrapartida, defendiam a não imposição estatal, mas uma decisão pessoal para que uma pessoa fizesse parte da Igreja (separada do Estado). E havendo essa decisão pessoal deveria ser rebatizada. Para os anabatistas, a Igreja era uma comunidade voluntária e não fruto da vontade estatal. Consequentemente o batismo infantil foi rechaçado pelos anabatistas. Isso provocou indignação e revolta geral de católicos e protestantes.


·        A Bíblia, principalmente a ética do Novo Testamento, deve ser obedecida como a vontade de Deus, embora não sistematizando sua teologia, mas aplicando-as no dia-a-dia. A interpretação da Bíblia é realizada nos cultos e reuniões da igreja;

·        Credos e confissões são somente documentos para demonstrar aquilo que se crê em comum, assim não requerem a adesão formal a eles. Aceitam, portanto, em essência os credos históricos do cristianismo, mas não os professam;

·        A Igreja é uma comunidade voluntária formada de pessoas renascidas. A Igreja não é subordinada a nenhuma autoridade humana, seja ela o Estado, ou hierarquia religiosa. Assim evitam participar das atividades governamentais, jurar lealdade à nação, participar de guerras;

·        A Igreja não é uma instituição espiritual e invisível, mas uma coletividade humana e real, marcada pela separação do mundo e do pecado e uma posição afirmativa em seguir os mandamentos de Cristo;

·     A Igreja celebra o Batismo adulto normalmente por imersão como símbolo de reconhecimento e obediência a Cristo, e a Santa Ceia em memória da missão de Jesus Cristo;

·        A Igreja tem autoridade de disciplinar seus membros e até mesmo sua expulsão, a fim de manter a pureza do indivíduo e da igreja;

·        Como pode ser notado, a teologia anabatista é maciçamente eclesiológica, baseada na vida comunitária e Igreja;


·        Quanto a salvação, o anabatismo crê no livre-arbítrio, o ser humano tem a capacidade de se arrepender de seus pecados e Deus regenera e ajuda-o a andar em uma vida de regeneração;

·        O que é único na Teologia Anabatista, é a visão sobre a natureza de Cristo, possui uma doutrina semi-nestoriana, crendo que Jesus Cristo foi concebido miraculosamente pelo Espírito Santo no ventre de Maria, mas não herdou nenhuma parte física dela. Maria, seria, portanto, um instrumento usado por Deus, para cumprir o seu plano, mas não Teótoco (Mãe de Deus);


  • Protestantismo 

A frase em latim post tenebras, lux (“após trevas, luz”) resume o mote da Reforma do século 16. Essas “trevas” referem-se à falta de entendimento do cristianismo bíblico pela igreja, que se desenvolveu gradualmente durante a idade das trevas ao longo da era Medieval até o tempo da Reforma. A teologia do sacerdotalismo dominava a igreja. Essa teologia sacerdotalismo propõe que a salvação ocorre principalmente por meio das ministrações da igreja, através do sacerdócio, e particularmente através da administração dos sacramentos. Os Reformadores responderam a esse sistema da maneira mais enfática no século

16. Todavia, eles não viram sua reação como revolucionária, mas como uma obra de reforma, chamando a igreja de volta às formas e teologia original da igreja apostólica.


A reformar Protestante, foi um movimento relevante dentro do cristianismo ocidental na Europa do século XVI que representou um desafio religioso e político para a Igreja Católica e em particular para a autoridade papal, decorrente do que eram percebidos como erros, abusos e discrepâncias cometidos pelo clero. A Reforma foi o início do protestantismo, além de ser considerada um dos eventos históricos que marcam o fim da Idade Média e o início do período moderno na Europa


  • A Igreja Anglicana

     

O Anglicanismo é uma das grandes vertentes protestantes dentro do Cristianismo. Iniciado na Inglaterra, em 1534, pelo rei Henrique VIII, essa denominação teve sua origem após a ruptura da monarquia inglesa com o Catolicismo Romano, especialmente devido à recusa do papado ao divórcio do monarca. Seu surgimento ocorreu em meio a um contexto mais amplo de reformas religiosas em curso no século XVI. Essas reformas incluíam a ascensão do Luteranismo e do Calvinismo na parte continental da Europa. O anglicanismo passou a ser uma importante denominação oficial, especialmente na Grã- Bretanha, na Nigéria, em Uganda e em demais países que pertenceram ao império britânico no passado. Logo, no ano de 1534, o rei determinou - através


do chamado “Ato de Supremacia” - que fosse criada a Igreja Anglicana. Ela estaria submissa ao poder do Estado e reconhecia Henrique VIII como protetor, senhor e chefe supremo da Igreja e do clero na Inglaterra. Além de deixar de estar sob a autoridade o papa, garantindo, assim, a ampliação do poder da monarquia. Nesse momento, a igreja na Inglaterra deixa de ser católica romana e passa a ser católica reformada.

Igreja da Inglaterra compreende-se como "católica" e "reformada":

·       Católica (Alta Igreja) na medida em que se define como uma parte da Igreja Católica de Jesus Cristo, em perfeita e válida continuidade com a Igreja apostólica. Também se assemelha de Igreja Católica Romana em seus dogmas e ritos. Surgiu no século XIX, no Movimento de Oxford, já que a Igreja Anglicana era totalmente protestante;


·       Protestante (Baixa Igreja), na medida em que ela foi moldada por alguns dos  princípios  doutrinários  e  institucionais  da Reforma Protestante do século XVI, nos princípios presbiterianos (ou calvinistas). O seu caráter mais reformado encontra-se na expressão dos Trinta e Nove Artigos de Religião, elaborado em 1563 como parte do estabelecimento da via média de religião sob a rainha Isabel I da Inglaterra. Os costumes e a liturgia da Igreja da Inglaterra, expresso no “Livro de Oração Comum”, são baseados em tradições da pré- Reforma, com influência dos princípios da Reforma litúrgica e doutrinária de inspiração protestante. Surgiu originalmente com a Igreja, sendo o segmento anglicano mais antigo.



  • Restauracionismo

 

Em todas as denominações cristãs, existe um conceito essencial de restauracionismo que se liga ao primitivismo, às origens da Igreja cristã primitiva conforme relatos do Novo Testamento. Contra todo tipo de desvio doutrinário ou práticas de corrupção na religião cristã são tidos como heresias ou desvios nos ensinamentos que vinham desde os apóstolos. Sempre a Igreja primitiva do Novo Testamento, da era apostólica, quando se iniciou o cristianismo, serve de modelo para esse primitivismo e restauracionismo.

Algumas denominações cristãs adotaram o restauracionismo ou primitivismo cristão como sua postura histórico-teológico, por acreditarem que o cristianismo histórico se desviou da rota original ou se perdeu em sua trajetória histórica. Para esses movimentos, faz-se necessária a restauração daquele cristianismo primitivo da era dos apóstolos, baseada nos pressupostos históricos e teológicos com aquilo que Jesus havia estabelecido, mas que foi perdido pela apostasia das igrejas, onde nem mesmo o protestantismo magistral (luteranismo, calvinismo e anglicanismo) conseguiu reformar.


Entre os movimentos restauracionistas se encontram os movimentos, no período medieval, como os Valdenses, os Franciscanos e os Hussitas, que tentaram restaurar o cristianismo original e sua simplicidade. Portanto, também na Igreja Católica ocorreram estes e outros movimentos restauracionistas, como a Igreja Vétero-Católica e o Sedevacantismo.

A reforma protestante iniciada por Lutero, é um tipo de restauracionismo e via-se como uma continuidade do cristianismo primitivo que foi interrompido pelo catolicismo. Houve então, a chamada restauração da igreja por meio do movimento dos magistrais, mas que posteriormente, desencadearam outros movimentos mais radicais como os anabatistas e socinianos que rejeitaram qualquer necessidade de continuação histórica herdada do catolicismo.

Na Inglaterra dos séculos XVI e XVII, os movimentos restauracionistas dos protestantes foram chamados de puritanos. No século 19, se desencadeou o Restauracionismo anglo-americano, na Inglaterra e nos EUA, que pregava a restauração espiritual do cristianismo primitivo, por meio do pastor presbiteriano Edward Irving, ou a restauração de um cristianismo simples e adenominacional, numa interpretação dispensacionalista.

Nos EUA, a partir de novas visões de líderes religiosos, surgiram mais movimentos,  posteriormente,  como  o  Adventismo,  o  Mormonismo  e as Testemunhas de Jeová - movimentos que visavam restabelecer uma igreja visível e restaurada. Ocorreu o chamado “Segundo Grande Despertar” nos EUA, com movimentos restauracionistas que pregavam um cristianismo não-credal e sem barreiras denominacionais. Esses movimentos, se estabeleceram com firme convicção de são a continuação direta da igreja verdadeira de Cristo, portanto, não se identificam com as igrejas que eles julgam como corrompidas e desviadas, arrogando para si o título de “igreja verdadeira”.

O maior perigo dessa ideia presunçosa, é que eles mesmos são condenados dos crimes que eles condenam os outros. Nenhuma igreja verdadeira, busca para si o título de igreja verdadeira, desconsiderando a obra livre do Espírito Santo e a multiforme sabedoria de Deus, que trabalha em favor de sua igreja “universal” como o corpo místico de Cristo que não pode ser contido em um pensamento exclusivista e segregador.



A Pré Reforma

  • John Wycliffe (1328 – 1384)


John Wycliffe era um sacerdote na Inglaterra e professor na Universidade de Oxford. Ele tinha muita influência por sua capacidade de ensino e método destemido de colocar suas ideias em discussão. Em uma época onde não só o povo, mas muitos clérigos estavam ressentidos com a igreja romana, em sua


forma ambiciosa. John Wycliffe se levantou contra pontos centrais dos dogmas adotados pela Igreja Medieval. Ele protestou contra as irregularidades do clero e da igreja, questionou o direito da igreja de ter o poder temporal e de possuir riquezas, discutiu a venda de indulgências, rejeitou os ensinos acerca da transubstanciação na Ceia do Senhor, a crença do purgatório, e até do celibato.


John Wycliffe também pregou contra as superstições e sincretismos que inundavam a Igreja da época, como a fé em relíquias sagradas, peregrinações com propósitos místicos e veneração de santos. John Wycliffe foi muito perseguido por conta de suas ideias, e em 1377, foi banido da universidade, proibido de disseminar a seus pensamentos e seus escritos queimados. Sem as suas funções na universidade, ele teve tempo para se dedicar na primeira tradução completa da bíblia para o inglês, pois ele defendia a ideia de que todo mundo deveria ter a oportunidade de ler as escrituras na sua própria língua. “Visto que a bíblia contém Cristo, tudo o que é necessário para a salvação, ela é necessária para todos os homens, e não apenas para os sacerdotes”.


Em 31 de dezembro de 1384, acabou morrendo devido a um derrame quando estava na igreja. Alguns anos depois de sua morte, em 1428 John Wycliffe foi condenado como herege e excomungado pela Igreja no Concílio de Constança. Seus restos mortais foram exumados e queimados, para que lhe fosse aplicada a sentença mesmo depois de morto. Os seguidores de John Wycliffe ficaram conhecidos como “Os Lolardos”, e valorizavam a Bíblia como regra de fé e prática, ajudando a espalhar a tradução da chamada a Bíblia de Wycliffe. Para muitos depois dele que foram influenciados e motivados por suas ideias e coragem, Wycliffe era considerado como a “estrela da manhã da reforma”.



  • John Huss (1373 – 1415)


John Huss era um sacerdote na Boêmia, professor da Universidade de Praga. Chegou a confessar que inicialmente foi atraído para o ministério ordenado, com a promessa de conquistar uma vida confortável e estima das pessoas. Mas, foi ao se deparar com as ideias de Wycliffe, que ele experimentou uma mudança radical que o levou a vidar uma vida real com Cristo. John Huss


defendia que o cabeça da Igreja é Cristo, e não o Papa, e pregava que essa Igreja deveria ser mais e mais semelhante à Cristo. Uma marca do seu ministério, era a defesa de que as escrituras deviriam se acessíveis ao povo. Além disso, John Huss entendia que as Escrituras possuem autoridade suprema, acima de tudo e todos.


Em 1409, o papado declarou a proibição das pregações de Huss, porém ele se manteve firme ao contrariar a ordem do papa, o que lhe fez ser excomungado pela igreja católica. No ano de 1414, ele foi preso e durante 1 ano foi forçado a ceder nas suas convicções e reafirmar as doutrinas da igreja, se voltando contra as suas pregações e ataques à igreja, como: a veneração à ídolos, retenção do cálice ao povo comum, a autoridade da igreja, e a figura do papa como vicário. Ele disse: “nem todos os membros da igreja visível, pertencem à igreja invisível. Quando o clero, em particular, provar ser reprovado em suas ações, sua autoridade é suspeita”. Sua firmeza nas afirmações e críticas aos sacerdotes e papas que assim procediam, era denominado por ele como “anticristos”, o que apenas reforçava sua disposição em não aceitar as bulas papais.


Em 6 de julho de 1415, Huss acabou sendo condenado como herege pelo Concílio da Igreja e sentenciado à fogueira, onde morreu cantando salmos. Um pouco antes da execução da sentença, Huss voltou-se para seus algozes e afirmou: “hoje, vocês queimam um ganso, mas daqui a cem anos, um cisne surgirá que vocês não serão capazes de cozer ou assar”. Antes e depois da sua morte, Huss reuniu muitos seguidores que ficaram conhecidos na História da Igreja como Irmãos Boêmios, ou os hussitas, que se tornaram precursores de outro importante grupo protestante conhecido como Irmãos Morávios.


Certamente os pré-reformadores foram homens levantados por Deus para protestar com coragem num período em que a Igreja havia se distanciado da verdade das Escrituras, e que acabaram contribuindo de forma muito importante para a Reforma Protestante no século 16.


Século XV - Os Morávios

 

 

Século XVI – Marinho Lutero / John Calvino / John Knox

Século XVII – Jacobus Arminius / Richard Baxter / John Falvel / Jorge Fox / John Owen / Anton Praetorius / John Bunyan

Século XVIII – Jonathan Edwards / David Brainerd / John Wesllhey / George Whitefield / William Carey /

Século XIX – Charles Hodge / J. C. Ryle / Charles H. Spurgeon / E. M. Bounds

/ Hudson Taylor / Adoniram Judson

Século XX – Karl Barth / Luis Berkhof / Leonard Ravenhill / David Wilkerson / John Stott /

Martyn Lloyd-Jones



Escrito por: Pastor Sério Nonato Jr.

 
 
 

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Tucuns - Armação dos Búzios/RJ

 

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