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REFLEXÃO DE 8 ANOS DE ESSÊNCIA

Quando começamos aqui, éramos um grupo de cristãos bem experimentados no que se refere à religião cristã, mesmo que de maneiras limitadas, mas a maioria já tinha uma fé em Cristo e uma vida muito bem acostumada com as liturgias e os ritos da vida cristã evangélica no Brasil. Alguns nascidos na igreja, outros já de longa data. Ainda havia aqueles relativamente mais novos na fé. Mas, com toda certeza, todos já tínhamos alguma caminhada estabelecida na fé cristã.

Eu glorifico a Deus pela vida de cada um que participou do início deste projeto de Deus, ainda que nenhum de nós fosse academicamente habilitado para criar e sustentar um movimento apologético na igreja à qual pertencíamos, mas, com toda certeza, todos aqueles que acreditaram e ainda acreditam no nosso ministério foram instruídos pelo Espírito Santo a fim de não se conformarem com o mundo, mas transformá-lo por meio da renovação da mente (Rm 12:2). E foram esses dois princípios que, de maneira orgânica e sincera, agiram em nossas vidas, nos impulsionando a não nos conformarmos com a ideologia do mundo, muito menos quando ela se instaura sorrateiramente dentro da igreja.

O cristão não é chamado por Deus para ficar indiferente quando a crise se instaura na igreja. Não fomos chamados para ficarmos calados enquanto o mal triunfa. Somos cristãos que devem se posicionar quando algo ultrapassa a vontade de Deus e o exemplo de Cristo. Não podemos jamais ficar quietos diante da impunidade, injustiça, abuso de poder, corrupção, falsos ensinos, heresias e deturpação do sagrado, que muitas vezes levam o evangelho de Cristo ao vitupério e o Espírito Santo ao ridículo. O cristão tem a obrigação moral e espiritual de lutar pela verdade, mesmo quando isso o levará à perda de posição, cargos e ministério. Nós não servimos a Cristo e à igreja por causa de benefícios próprios, mas, muito pelo contrário, nos doamos para que o Reino de Deus prospere.

Acontece que esse não é o caso de muitas igrejas no Brasil e no mundo. Infelizmente, estamos cansados de ver líderes e comunidades inteiras buscando benefícios terrenos, usando a igreja como um meio pelo qual possam alcançar o benefício próprio. Vivemos em tempos em que muitos se esqueceram, ou


nunca entenderam, o que o apóstolo Paulo quis dizer ao afirmar: “se esperamos em Cristo apenas para as coisas desta vida, somos os mais miseráveis dos homens” (1Co 15:19). A nossa recompensa não está aqui nesta vida, nosso tesouro está nos céus, e não aqui neste mundo caído. O mundo, com os seus corruptos, já desfruta a recompensa da corrupção aqui neste mundo. Eles prosperam, andam nos melhores carros, têm as melhores casas, seus bolsos estão cheios, mas seus corações vazios da esperança da glória eterna com Cristo Jesus.

Mas glorifico a Deus por ter nos escolhido, a Cristo Jesus por ter realizado a obra necessária para o nosso resgate, e ao Espírito Santo por conservar em nós um coração sincero que busca continuamente a verdade. Se estamos aqui hoje, foi porque há mais de 8 anos, um grupo de irmãos não se conformou com um sistema que muitas vezes se mostra perverso em oprimir os que pensam de forma diferente e os que não o seguem cegamente. Foi por sermos preservados na verdade – mesmo com muitas limitações teológicas – que sempre houve em nós o desejo genuíno de pregar o evangelho sem a influência e manipulação da religiosidade. Mas eu preciso falar: existem duas palavras que nós não podemos fazer mau uso delas, são elas: religião e sistema.

Religião – essa palavra tem sido muito mal aplicada e usada no contexto evangélico contemporâneo, tomando conotações pejorativas e uma má fama por parte de quem quer puramente criticar a igreja e suas várias nuances. A religião em si não é algo ruim – a própria Bíblia traz uma definição de religião que é o auxílio aos necessitados (Tg 1:27) – nem algo que deve ser abandonado. Se a religião é algo que praticamos de modo orgânico para a glória de Deus, então somos sim religiosos. O que deve ser rejeitado é a falsa religião, ou seja, a religiosidade que é vivida como uma prática engessada que não traz liberdade e leveza de espírito. A religiosidade é a prática da profissionalização da fé, que muitas vezes impõe pesos e fardos impossíveis de serem levados. Portanto, afirmamos que temos uma religião – a fé cristã – com todas as suas doutrinas e costumes prescritos na Bíblia. Nada mais, nada menos que isso.

Sistema – essa é outra palavra que incomoda, pois trata-se de um arranjo de doutrinas, dogmas, liturgias e costumes que visa se retroalimentar. Quando saímos da denominação a que pertencíamos, nos apegamos muito a esta tecla


do anti-sistema. Fomos influenciados por um PDF de um pastor que estava surfando na ideia dos desigrejados. Na época, não tínhamos muitos fundamentos teóricos para embasar nosso sentimento, e embarcamos nessa ideia. Irmãos, devo confessar que não me orgulho muito das narrativas que foram estabelecidas a partir desse material. Começamos a nos autoproclamar como uma comunidade contra o sistema. Hoje, isso já não cabe mais. Assim como a palavra religião não é má em si mesma, a palavra sistema também não é. Toda organização de igreja necessita de um sistema, todo ajuntamento de 2 ou 3 pessoas em nome de Cristo requer algum nível de padronização e sistematização. Uma das principais bandeiras que foram levantadas foi contra a obrigatoriedade de se pagar o dízimo. Sim, não existe o conceito de se “pagar dízimos”, mas a livre e espontânea colaboração e contribuição para o Reino de Deus. E vejo que, nesse aspecto, ainda hoje colhemos efeitos negativos da narrativa contrária aos dízimos.

Enfim, nós não temos a pretensão – e nunca tivemos – de reinventar a roda. A nossa busca sempre foi a de VOLTAR À ESSÊNCIA da palavra de Deus, por isso o nome da igreja. Mas, como muitas coisas na vida, a gente aprende e evolui durante o processo. Ao longo dos últimos 8 anos, temos aprendido. Talvez o que mais Deus tem nos ensinado nos últimos anos é o significado da diligência, resiliência e persistência. Mesmo que debaixo de muitas dificuldades, continuamos. Apesar das idas e vindas, dos altos e baixos, até aqui nos ajudou o Senhor.

Não foram poucas as críticas e torcidas contrárias, mas a nossa meta tem sido olhar para Cristo, olhar para a palavra de Deus e sermos transformados por ela. A nossa meta é adquirir maturidade em Deus, ser uma igreja bem estabelecida, não pelo porte que podemos um dia ter, não pelo templo mais confortável que podemos um dia construir, e com certeza não para entrar na corrida de quem tem a igreja maior e melhor. Nosso objetivo é ser uma igreja bem instruída na palavra de Deus, que maneja bem a espada da verdade. Nossa meta é crescer à estatura do varão perfeito, que é Jesus, imitarmos o nosso Salvador, seguirmos os seus passos, sermos uma igreja que busca cada vez mais se aproximar ao conceito apostólico – não no conceito apostólico da igreja católica apostólica romana, muito menos nos moldes das igrejas


neopentecostais apostólicas. Mas queremos voltar à essência do que um dia foi a igreja inaugurada pelos apóstolos de Jesus.

Nos últimos anos, temos trabalhado para buscar uma identidade de igreja que glorifica o Reino de Deus. Deste modo, seguimos no processo de aprendizado e aproximação com as doutrinas da fé REFORMADA. Conscientes da necessidade de retorno a uma vida cristã nos moldes bíblicos, em contraste com as práticas místicas e sincréticas em algumas manifestações religiosas, procuramos, através da dedicação ao estudo bíblico, voltarmos à essência do evangelho que foi pregado pelos apóstolos de Jesus e resgatado pelos reformadores do século XVI.

Temos como regra de fé e prática a Bíblia Sagrada. Acreditamos na total inspiração, confiabilidade e inerrância da Palavra de Deus. Seguimos como padrão doutrinário a Confissão de Fé Batista de Londres, de 1689, e a Confissão de Fé Batista de New Hampshire, de 1830 – algo que já foi passado ponto a ponto como devocional. Estamos alinhados com a tradição doutrinária da Reforma Protestante, que endossa os 5 solas (somente a fé; somente a escritura; somente Cristo; somente a graça; glória somente a Deus), e endossamos o que disseram grandes homens piedosos como Martinho Lutero, João Calvino, George Whitefield, Jonathan Edwards, John Owen, John Bunyan, Charles Spurgeon, entre outros grandes nomes dos puritanos.

Começamos nossa caminhada há 8 anos com o nome denominacional

COMUNIDADE CRISTàVOLTANDO À ESSÊNCIA, mas hoje vemos a necessidade de ressignificar a intitulação da nossa comunidade. A nossa identidade tem sido aprimorada nos últimos anos, nos levando a caminhar sob a influência do conceito da Teologia Reformada.

 Portanto, a partir deste momento, a nossa comunidade passa a se chamar: IGREJA CRISTàREFORMADA VOLTANDO À ESSÊNCIA.

 

 

A menos que sejamos convencidos por Deus e por sua palavra, aqui ficamos e aqui permanecemos”.

 
 
 

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A Igreja Voltando à Essência é uma Igreja Cristã Reformada, localizada na estrada de Tucuns, em Búzios. Ela surgiu do desejo orgânico de alguns membros de voltar à observância das Escrituras em todas as manifestações da vida congregacional.

LOCALIZAÇÃO

Estrada de Tucuns Nº. 100
Tucuns - Armação dos Búzios/RJ

 

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